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See all EU institutions and bodiesAdaptar uma cidade Património Mundial em Salamanca (Espanha) às alterações climáticas através de um corredor verde e promover um novo conceito, denominado «património verde».
Principais aprendizagens
Sobre a Região

Ameaças climáticas
De acordo com projeções futuras, o aumento da temperatura e as ondas de calor representam as maiores ameaças climáticas em Salamanca. Os riscos incluem a diminuição das reservas de água, secas, aumento da morbilidade e mortalidade - particularmente em grupos vulneráveis - eventos de precipitação extrema e aumento do consumo de energia, com riscos associados de sobrecarga e problemas de distribuição. Estes riscos podem afetar negativamente o turismo, crucial numa cidade como Salamanca, reconhecida como Património Mundial.
Context
Como iniciativa-piloto, o projeto estabelecerá uma rede de infraestruturas verdes para melhorar a adaptação às alterações climáticas em Salamanca. Desenvolverá um corredor verde ao longo de 7 km de uma antiga rota do gado, «Via de la Plata», que atravessa Salamanca de norte a sul. A ferramenta de apoio à adaptação urbana é utilizada como orientação, compreendendo várias etapas, como a avaliação da vulnerabilidade e dos riscos, a definição de zonas climáticas locais, a identificação e priorização de opções de adaptação, a definição de um roteiro e a aplicação de soluções baseadas na natureza.
Aprendizagem automática para avaliação da zona climática
A aprendizagem automática avaliou as zonas climáticas locais para ajudar os planeadores e gestores a lidar com os pontos críticos locais (efeito ilha de calor). O principal objetivo era identificar zonas com diferentes condições microclimáticas para planear medidas de adaptação eficazes. A metodologia identificou eficientemente zonas climáticas locais através da deteção de áreas com densidades de construção distintas, níveis de vegetação e variações de temperatura. Os resultados revelaram diferenças nas temperaturas médias e mínimas entre as zonas climáticas locais durante os meses de verão.
Note-se que a análise não diferenciou totalmente a área histórica das secções mais contemporâneas; especificamente, as áreas históricas são categorizadas dentro da mesma zona que as expansões modernas. Isto implica que as suas características são semelhantes do ponto de vista do diagnóstico climático. No entanto, no que diz respeito à adaptação, a área do património exige medidas específicas e apresenta condições diferentes em comparação com o resto da sua zona climática.
Por exemplo, deve ser dada atenção a garantir que os acabamentos exteriores em pavimentos e paredes sejam compatíveis com os bens históricos, a sua preservação e a sua apreciação. É igualmente fundamental garantir que a vegetação não provoque danos estruturais nem piore as condições de humidade, permitindo simultaneamente a sua apreciação visual.
O valor do património é independente do seu comportamento contra o efeito de ilha de calor, uma vez que se baseia em aspetos culturais e não físicos. Outras condições, como a densidade do edifício e a presença de vegetação, levam ao aparecimento ou declínio do efeito de ilha de calor na cidade, onde a identificação de soluções adequadas resistentes ao clima é fundamental.
Metodologia
A natureza pioneira do estudo tem sido não tanto propor uma metodologia replicável de análise urbana baseada em dados de satélite, mas sim combiná-la com outras variáveis abertas, como as dos Edifícios e Parcela Cadastral da Diretiva INSPIRE. As variáveis finais utilizadas no modelo apresentado são:
i) Área construída acima do nível do solo
ii) Área ocupada por edifícios
iii) Área residencial por parcela cadastral
iv) Área das parcelas cadastrais (estas quatro categorias obtidas a partir dos dados INSPIRE)
v) Índice de vegetação NDVI (derivado dos dados COPERNICUS-Sentinel 2)
vi) Índice de impermeabilidade do solo (dados COPERNICUS) e
vii) Temperatura superficial (dados Landsat 8 USGS).
A integração destas camadas de informação é feita por aprendizagem automática, especificamente com algoritmos não supervisionados. O algoritmo selecionado para digerir estes dados foi o Kmeans, devido à sua versatilidade e adaptação ao caso, sendo também facilmente acessível através de bibliotecas abertas. Mais informações aqui.


Instrumento para dar prioridade às medidas de adaptação
O projeto identificou 110 medidas de adaptação de diferentes tipos (por exemplo, infraestruturas verdes, cinzentas e azuis, sociais, de gestão, etc.) e principais setores conexos. Após a caracterização destas medidas, foi desenvolvida e tornada pública em linha uma ferramenta para dar prioridade às medidas de adaptação. Esta ferramenta de definição de prioridades baseia-se numa análise multicritérios que proporciona uma abordagem sistémica e estruturada para avaliar opções que cumprem diferentes critérios.
No caso de Salamanca, os critérios selecionados são os seguintes: 1) redução dos impactos das alterações climáticas; 2) viabilidade técnica e económica; 3) Melhoria da prestação de serviços ecossistémicos; 4) Manutenção do património cultural; e 5) redução dos impactos para a população, em especial para os mais vulneráveis. Cada medida de adaptação foi pontuada de acordo com estes critérios.
Em seguida, os cinco critérios foram ponderados para refletir a importância relativa de um critério para os outros, através de um inquérito e de um seminário participativo que contou com a participação de pessoal de vários departamentos municipais. Este processo ajudou a divulgar a lista de medidas e as principais opções de adaptação entre os gestores e decisores municipais e a criar uma maior apropriação do plano e dos esforços de adaptação da cidade.
Adaptação do ambiente patrimonial
A adaptação do património é abordada sob duas perspetivas: em primeiro lugar, através do planeamento e da compilação de uma série de medidas e estratégias e, em segundo lugar, através da aplicação de soluções baseadas na natureza.
Como parte do roteiro de adaptação da cidade, foi sugerida uma proposta para criar um guia de adaptação para edifícios históricos em Salamanca. Este guia tem como objetivo avaliar os cenários futuros destes edifícios, com foco na preservação e garantia de condições interiores habitáveis. É importante, uma vez que os materiais utilizados na arquitetura vernácula (como a pedra de Villamayor) e as condições climáticas são específicas deste contexto e, por conseguinte, exigem soluções adaptadas. O guia deve também explorar soluções de renovação favoráveis aos ativos, a adaptação a novas utilizações, o quadro legislativo, etc.
Além disso, é apresentada uma proposta para desenvolver um plano de recuperação para uma melhor reconstrução, que sirva para recuperar ativos na sequência de uma catástrofe ou de um acontecimento extremo. Reconstruir melhor não significa apenas reconstruir o que está danificado, mas também adaptar e repensar o ativo de uma forma que contribua para alcançar uma maior resiliência. Além disso, a renovação de ativos altamente expostos que são repetidamente danificados deve ser considerada do ponto de vista económico.

No que diz respeito à implementação de soluções baseadas na natureza, o objetivo foi aumentar a ecologização dos espaços públicos através de diferentes ações, como fachadas verdes, expansão da permeabilização do solo (Figura 2), fossas arbóreas (Figura 3) e instalação de valas de drenagem (Figura 4). Os desafios encontrados são técnicos, burocráticos e jurídicos. A nível técnico, as ações nas ruas históricas onde as instalações não estão registadas e onde podem existir vestígios arqueológicos, apresentaram muitos problemas, incompatibilidade com as plantações e atrasos. Parece que intervenções abrangentes de ruas inteiras são preferíveis, uma vez que permitem que o projeto seja ajustado ao estado do subsolo.
Além disso, para as áreas de património, são exigidos materiais nobres, o que pode aumentar os custos. Do ponto de vista jurídico, as áreas e os edifícios protegidos apresentam uma série de regulamentos rigorosos que devem ser cumpridos, deixando pouca possibilidade de ação e, a nível burocrático, a obtenção de licenças pode implicar um atraso de vários meses.
Por último, a coordenação entre os diferentes departamentos envolvidos (património, planeamento urbano, infraestruturas civis) constitui outro desafio. No entanto, esta experiência tem capacitado técnicos municipais para a realização de ações inovadoras, a superação de desafios e a aprendizagem com as dificuldades, em última análise, a obtenção de bons resultados.


Resumo
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